Em artigo na Folha de SP, Djamila Ribeiro celebra desfile da União


A filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira Djamila Ribeiro, uma das homenageadas pela União Imperial com o enredo do Carnaval 2024 – “Azeviche, A Ascensão da Áurea Cor”, abriu espaço em sua coluna semanal na Folha de S. Paulo para celebrar o desfile da Verde e Rosa, do qual participou. O artigo foi publicado na edição impressa do dia 8 de fevereiro.

Eis alguns trechos do seu texto:

(…) No Sambódromo, desfilei pela escola, para festejar a negra cor, joia rara, e rememorar figuras históricas da cidade de Santos. Tive a imensa honra de ser homenageada no samba-enredo junto a Dona Alzira Rufino, criadora e diretora da Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos, instituição onde trabalhei por anos e me formei politicamente. Dona Alzira, poeta da resistência negra, nos deixou no último ano, após uma vida de muitos feitos em prol da dignidade da negritude brasileira.

O samba da União Imperial estava na boca do povo e veio para fazer justiça a essa tradição, revivendo uma coletividade da merecida homenagem a Dona Alzira até grandes figuras do passado, como Pai Felipe, rei africano e líder de um grupo de escravizados que fundaram o Quilombo do Pai Felipe (…)

Na ilustração de fundo azul escuro entre vários confetes coloridos se destaca a bandeira do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba União Imperial.
Ilustração de Aline Bispo para coluna de Djamila Ribeiro de 8 de fevereiro de 2024 – Aline Bispo/Folhapress

(…) É a Santos que se orgulha de Quintino de Lacerda, o primeiro vereador negro da história do Brasil, eleito no século 19. Quintino foi líder do Quilombo do Jabaquara, fundado no mesmo ano da morte de Luiz Gama, o advogado abolicionista, que também foi homenageado no desfile e tem uma história muito bonita com a cidade (…)

(…) Outro homenageado foi o inesquecível Esmeraldo Tarquínio, jornalista, advogado e prefeito eleito pelo MDB em 1968, mas impedido de tomar posse pelo regime militar, que cassou seu mandato por ser um líder popular negro. Seria o primeiro —e até o momento único— prefeito negro na centenária história da cidade, que se preencheu de cores e sentidos na festa inesquecível da União Imperial pela avenida, cantando um lindo samba que entra para a história (…)

(….) No quesito história e compromisso com a cidade, a escola foi a grande campeã. Parabéns a toda a comunidade e aos compositores Gustavo Santos, Fernando Negrão, Joãozinho, Ademarzinho do Cavaco, Rodrigo Correia, Lúcio Nunes, Nikinha, Rafa Neves e Toninho 44. Ficam meus agradecimentos especiais a Ivo Evangelista, vice-presidente, e ao presidente Luiz Alberto Martins, pela honraria.

Viva a verde e rosa do Marapé! (…)

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